quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha

DIVÃLOSOFANDO
Qual o maior medo de uma criança feliz, alegre, sonhadora, idealista, inocente, esperançosa? Tornar-se um adulto! O adulto é aquele que diz que não dá pra ir à praia porque está chovendo; aquele que ama alguém, mas nem sempre escolhe ficar com este alguém; aquele que sufoca seus sonhos porque precisa ter os pés no chão. Convivendo com os adultos, eu notava o quanto eram complicados. Tudo era cheio de complexidade. Ser adulto era ter uma torta deliciosa em sua frente e não poder prová-la por razões incompreensíveis.

Os adultos são complexos, contraditórios, vivem se escondendo atrás de um escudo ao qual dão os mais diferentes nomes. Sim, eu associei ser adulto à falta de imaginação, de coragem e ao pessimismo derrotista. Estou certa? Certo ou errado não é a questão. Simplesmente, revendo meus conceitos, os porquês de ser como sou, cheguei à conclusão de que tudo, ao menos pra mim, é uma questão de associação. Sabendo com o que as coisas estão associadas, e analisando estas coisas, posso reconstruir meus conceitos mais conscientemente.
Parafraseando “Malandragem”, de Cazuza e Frejat, lindamente interpretada por Cássia Eller: Ainda sou uma garotinha esperando o ônibus da escola, achando o príncipe um tremendo chato. Sou criança e não conheço a verdade. Sou poeta e não aprendi a amar. Pedindo a Deus um pouco de malandragem. Sem mais saber sonhar, achando bobeira não viver a realidade.

Preciso seriamente rever conceitos velhos demais, concebidos quando eu era jovem demais. Porque a minha vida é afetada por estes conceitos. Acho lindo ter preservado minha criança interior e compartilhar seus óculos cor-de-rosa. Mas, não posso deixar que uma criança seja responsável por todas as minhas escolhas. Será que posso? Como uma criança poderia lidar com questões complexas sendo tão objetiva? Bem, não sei. E digo mais, tenho muito medo de tirá-la do comando uma vez que é capaz de dar cor a toda banalidade da vida. Quero o equilíbrio do adulto e a ousadia da criança. Seria possível um comando em parceria? Porque cansei. Cansei não de minhas meias ¾, mas, de minha incapacidade de tomar decisões, sempre esperando o adulto que me dá conselhos e permissões. Mas meu lado adulto é uma fração. É possível seguir com meus velhos conceitos? Claro que sim. Mas, confesso que preciso mais de mudança do que de ser criança. Pensando bem a criança já não é mais tão ingênua. Criança cínica, com óculos quebrados, vem caminhando com apatia por trilhas rebeldes, carregando um cesto de desilusões, rumando a um horizonte retalhado, desejando simplesmente desejar. Soltar as mãos de Peter Pan e deixar de voar para caminhar com meus próprios pés é o que deveria fazer. A ver! Acredito que na vida os olhares são infinitos e, esse foi apenas um.


by Daniella Dal'Comune - 2010

9 comentários:

Deia disse...

Olhares são infinitos e miram em várias direções - depende de como a luz estará refletindo cada vez que procuramos pousar os olhos em um lugar novo! Excelente, menina! Um beijo, Deia

Maria Fe disse...

Dani!!
eu adorei, mais que adorei este texto! Porque me identifiquei demais, já vinha querendo escrever sobre isso e tenho pensado demais. Estou numa fase em que as decisões estão ficando cada vez mais sérias, mais "adultas", ao mesmo tempo em que o cansaço mental bateu e a vontade é de ser criança.
E agora resta achar um denominador comum entre esses diversos olhares e fazeres.
beijos

Wilian Bincoleto Wenzel disse...

Adultos são pessoas que viraram mendingos. Não porquê abandonaram suas casas, mas porquê abandonaram a si próprios.

Ótima reflexão, Dani.

Pela forma como escreveu esse texto, lhe recomendo "O Futuro da Humanidade" de Augusto Cury. Acabei de lê-lo. É magnífico!

Dani Brito disse...

Você estava sumida, menina!
Ai Dan, é tão bom ser criança. Adultos são chatos e cheios de burocracias, esquecem da simplicidade e tem muita responsabilidade.
É possivel ser uma adulta criança viu? Não queira mudar, só as crianças entendem de magia, só elas sabem viver contos de fadas, só elas sabem ser feliz com o que a gente acha que é pouco.

Beijocas
=)

Daniel Savio disse...

É meio complexo conviver com todas as nossas facetas, pois além da parte adulta, a parte criança, também tem a parte festeira, a parte egoista e por ai vai, mas eu diria que a alternância entre esta facetas seja o que adotamos comumente.

Algumas raras pessoas, acabam conseguindo unificar estas facetas, mas penso que o melhor para descrever estas pessoas seja a palavra gênio.

Fique com Deus, menina Daniella.
Um abraço.

KaironDark disse...

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Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Ei querida, não pude deixar de comentar.

Acredito que seu lado jovem, desbravador pode guiar você até ficar bem velhinha. Afinal, o corpo envelhece, mas a alma continua querendo que aproveitemos a vida ao máximo. Ponderar sempre, mas envelhecer por dentro, nunca!

Beijos

Carolina Filipaki disse...

Pois é... dias atrás estava pensando em quando ia crescer. Meus pais com a minha idade tinham filhos e seus empregos pagavam o suficiente para se sustentarem e fazerem compras para os seus pais e não ao contrário, como acontece comigo. Detesto ser essa adulta de mentira. Tenho vergonha da minha falta de responsabilidade, que não é o mesmo que irresponsabilidade, no meu dicionário... rs
Ao mesmo tempo vejo que já envelheci em muitos aspéctos. Já não me apaixono por pessoas e coisas com o olhar infantil, amo como quem já sofreu por amor e tem medo desta dor... E acho que ainda não vivi um grande amor. Não sei se quero ser criança ou adulta. Sei que o Peter Pan já voou sem mim faz tempo e que minhas pernas ainda não estão caminhando com tranquilidade... Sinceramente, tenho medo de que elas nunca consigam!

Poliana Fonteles disse...

amei demais seu blog, o título é tudo...

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha... oxo, também em me sinto assim...

abraço com carinho...